CAÇADORES DE PAISAGENS

Para a primeira semana de férias de Páscoa, entre os dias 26 e 29 de março, o Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo (FLL) propôs “Caçadores de Paisagens”, uma oficina de fotografia orientada por Duarte Belo e Cristina Nogueira. Esta proposta, dirigida a crianças e jovens entre os seis e os 15 anos, partiu da exposição “Lugares para Viagem”, de Duarte Belo, patente na Galeria da FLL. Concebida como mais uma possibilidade de percurso criativo, esta oficina assumiu-se também como uma ação de sensibilização, valorização e promoção do património e da paisagem.
Afinal, são urgentes os ‘caçadores de paisagens’, para que possam descobrir, conhecer, documentar… e até salvar (pelo menos, do esquecimento) florestas, edifícios, caminhos e outras presenças na natureza e no património que habitam a aldeia. Através da técnica de photovoice, os participantes desta oficina foram convidados a usar a fotografia como meio de autorreflexão e autoexpressão sobre identidade e memória, inspirados pelas paisagens interiores e exteriores. E, porque este é um projeto de inscrição territorial, o resultado foi uma instalação visual com formato de percurso com as imagens construídas por cada um. Como uma viagem a preto e branco ou a cores.
Os pais, familiares e amigos foram convidados a fazer este percurso pelos espaços da FLL, que terminou numa visita guiada por Duarte Belo à exposição “Lugares para Viagem”. Pelo caminho, ouviram-se também registos escritos sobre a experiência, pela voz dos participantes: “Esta era uma árvore muito antiga e ardeu. Tenho muita pena dela, porque era uma recordação do meu avô”; “[Esta oficina] levou-me a aprender mais curiosidades fotográficas”; “Escolhi esta imagem, porque me fez olhar para as coisas de outra maneira: com mais cor, mais bondade e mais atenção”; “Decidi que, em todas as minhas fotos, teria que haver um pouco de Natureza”; “Tudo o que acaba deixa vestígios”; “Eu escolhi esta foto, pois é bom termos recordações de paisagens bonitas”; “Esta foto é a minha favorita, porque, tal como o meu autorretrato, tem água. (…) A relação da água em todas as minha fotografias tem a ver com a tranquilidade que quero, tenho e tento transmitir”; “As minhas fotografias são influenciadas pelo lado estético”; “Solidão e vazio, o tempo e a destruição, tudo isto se une com a Natureza para nos proporcionar um momento de silêncio e de reflexão”; “As árvores, não sei porquê, transmitem-me liberdade”; “Nesta semana, foi o que aprendi, que tudo tem o seu valor”; “Não fotografo, normalmente, à procura de um significado ou mensagem”; “Nós fazemos a nossa paisagem”.
Como habitualmente, o Serviço Educativo definiu objetivos específicos para esta atividade, entre os quais: sensibilizar o público jovem para a importância da memória e da identidade de um povo e de um território; promover a valorização da paisagem e da arquitetura da região; criar, ou aprofundar, uma relação afetiva e efetiva com a aldeia da Lapa do Lobo; proporcionar o contacto com a linguagem visual como recurso de expressão, comunicação e investigação; potenciar o ato crítico e criativo, através da imagem fotográfica.