Congresso “De Gibraltar aos Pirenéus – Megalitismo, Vida e Morte na Fachada Atlântica Peninsular.

A Fundação Lapa do Lobo e os concelhos de Nelas e do Carregal do Sal abriram as suas portas para receber o Congresso “De Gibraltar aos Pirenéus – Megalitismo, Vida e Morte na Fachada Atlântica Peninsular.

Nos dias 2, 3 e 4 de novembro cerca de 70 congressistas, arqueólogos portugueses e espanhóis, apresentaram na Fundação Lapa do Lobo, os resultados das suas investigações mais recentes sobre o Megalitismo na fachada atlântica da Península Ibérica, trocaram e debateram ideias e lançaram novas pistas e novos desafios para o trabalho futuro.

Tiveram ainda oportunidade de visitar alguns exemplos do vasto património arqueológico dos concelhos de Carregal do Sal e de Nelas, onde abundam importantes exemplos deste tipo de monumentos, onde as arquiteturas, os rituais e as paisagens se cruzam com o tempo dos vivos e dos mortos, lançando interrogações sobre a vida, a organização e o pensamento das sociedades pré-históricas que por esta região foram passando e os deixaram como legado. Tudo isto num longínquo período variável de vários milénios a.C.

Este congresso surgiu na sequência dos trabalhos de estudo e investigação do Projeto NeoMega (Neolitização e Megalitismo na Plataforma do Mondego), que abrange oito sítios arqueológicos nos concelhos de Nelas e do Carregal do Sal, incluindo precisamente o novo sítio da Orca da Lapa do Lobo, recentemente descoberto e cujas campanhas de escavação, dirigidas pelo Prof. João Carlos de Senna-Martinez, vieram a revelar descobertas inesperadas, dignas de serem partilhadas na comunidade científica de arqueologia.

De realçar que a investigação, recuperação, integração e valorização do património arqueológico da nossa região representa uma mais-valia importantíssima para os concelhos de Nelas e do Carregal do Sal. Pois, para além da ação de preservação do património em si e da sua disponibilização ao público, se devidamente trabalhado em conjunto com outros patrimónios locais como o paisagístico, o gastronómico, o enológico e o cultural em geral, permite abrir novas portas de interesse e atração a uma região ainda tão pouco conhecida dos portugueses e dos estrangeiros sob o ponto de vista turístico.

O prolongamento temporal do projeto NeoMega irá permitir concretizar os objetivos de investigação e musealização dos oito sítios arqueológicos agora em estudo. Ambas as autarquias e diversas outras entidades, de entre as quais a Fundação Lapa do Lobo, continuarão certamente a apoiar este projeto. Os resultados de mais esses anos de investigação arqueológica nos nossos concelhos justificarão certamente o lançamento de um outro desafio para a realização de um novo Congresso Internacional de Arqueologia na nossa região, o que muito nos orgulhará.