Inauguração da Exposição “Enquanto Cresce uma Nogueira”

Na passada sexta-feira dia 01 de Março, inaugurou-se na Galeria de Exposições da Fundação Lapa do Lobo a Exposição de fotografia – “Enquanto Cresce uma Nogueira” de Afonso Sereno. A par desta inauguração foi também apresentado o livro “Travel Diaries” que mais não é do que um Diário de Viagens que o Autor lançou em 2018 a partir duma campanha de Crowdfunding. Perante muitos familiares e amigos do autor, o Dr. Carlos Torres – Presidente do Conselho de Administração da Fundação apresentou o jovem Afonso Sereno e explicou de que forma o conheceu e como se desenvolveu todo o processo de trazer até à Fundação esta exposição. Afonso Sereno, é um jovem de 23 anos apaixonado pelas viagens e pela fotografia e tem ao longo dos últimos anos viajado pelo mundo, grande parte das vezes à boleia, registando em fotografia as imagens que mais o vão marcando por onde passa. Apaixonado também pela escrita, principalmente na sua vertente de poesia, vai também escrevendo poemas e memórias das suas aventuras em viagem. Biografia do Autor (nas suas próprias palavras): “Foi sem noções técnicas e com pouca experiência que fotografei um projeto social na Guatemala em 2014. desenvolvi a paixão pela fotografia num ramo mais documental, no qual o objetivo é embelezar as memórias que guardo. Estudei, viajei e aprendi. Ao longo dos últimos três anos dividi-me entre a vida social, as viagens, a escola e vários trabalhos. Em Junho de 2018 lancei um livro a partir de uma campanha crowdfunding – Travel Diaries. Gosto de deixar que as oportunidades do presente influenciem o meu futuro. E deixar que a naturalidade das coisas me mostre quem já sou. Chamo-me Fernando Guilherme Nogueira Sereno Afonso, tenho 23 anos e estou feliz enquanto estiver a aprender.”

UM CAPÍTULO SOBRE POESIA

“Por dentro da rapariga

por dentro da suite sem vista,

a cidade prateada”.

 

Foi com palavras de Inês Fonseca Santos, uma das convidadas especiais, que se deu início a mais uma, a 10ª, edição de “Um capítulo sobre…”, no passado dia 23 de fevereiro de 2019, na Fundação Lapa do Lobo.

A poesia foi o tema escolhido. Inês Fonseca Santos e João Paulo Cotrim – na companhia de Rui Fonte, coordenador da Biblioteca da FLL, no âmbito da qual se promove esta iniciativa – falaram sobre poesia, a sua atualidade, pertinência e lugar no contexto literário português. Perante uma plateia atenta, onde se notou a presença de autores locais e membros da Rede de Bibliotecas de Nelas, “Um capítulo sobre poesia” demorou-se pela noite dentro, como as palavras se demoram em nós sempre que as descobrimos e reencontramos nos livros e nas vozes dos poetas.

A VIDA E A OBRA DO SENHOR SATIE CONTADAS AO PIANO

A pianista Joana Gama foi a convidada do Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo (FLL), entre os dias 11 e 16 de fevereiro, para a apresentação de 12 concertos baseados na obra do compositor Erik Satie, aos quais assistiram 870 pessoas, no Auditório da FLL.

“Eu gosto muito do Senhor Satie”, um concerto comentado para crianças, foi a proposta dirigida a todas as crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico dos concelhos de Carregal do Sal e de Nelas, que teve também uma sessão especial dedicada às famílias.

E como era o Senhor Satie? O Senhor Satie gostava muito de andar. Bom, talvez não gostasse assim tanto, mas não tinha alternativa: como não lhe sobrava dinheiro, fazia diariamente longas caminhadas, pois não podia pagar o comboio que ligava a sua casa ao centro da cidade de Paris, onde passou grande parte da sua vida. Para além de compositor de música – o piano foi o seu instrumento de eleição -, o Senhor Satie gostava de guarda-chuvas, de desenhar e de marisco. Era uma pessoa solitária, mas com muito humor.

Para além da interpretação de várias peças de piano, Joana Gama contou histórias e curiosidades sobre a vida e a obra do compositor francês, com o apoio das ilustrações de Paula Cardoso, terminando cada concerto com uma conversa informal, durante a qual as crianças partilharam sensações, comentários e questões como: “Por que é que tocas tão rápido, Joana?”; “Como é que se apaixonou pela música do Senhor Satie?”; “Queria dizer que a Joana toca muito bem piano. Parabéns!”; “Onde se pode aprender a tocar bem piano?”; “Quantos metros tem o piano?”; “Eu também tenho um  caderninho, como o Senhor Satie.”; “O Senhor Satie gostava mais de música clássica ou de música pop?”;  “E, se não soubermos o caminho, para fazer uma caminhada [como o Senhor Satie]?”; “Esta música [Ogiva] era inspiradora!”; “Quantas horas toca por dia?”; “Como é que sabes tudo sobre o Senhor Satie?”; “Hoje, a minha professora não pôde vir, por isso vou fazer um desenho para lhe mostrar como foi o concerto.”; “Por que é que algumas músicas são alegres e outras não?”; “Queria ouvir mais músicas…”.

Estes espetáculos ficaram marcados pela surpresa e pelo entusiasmo das crianças, que, na sua maioria, vivenciaram pela primeira vez um concerto de música clássica, cujos objetivos foram promover a sensibilidade estética e artística, proporcionar a fruição de formatos artísticos pouco acessíveis à infância e estimular competências expressivas e criativas, através da contemplação musical.

O recital de piano “I Love Satie”, aberto ao público em geral, aconteceu na noite de sábado, criando uma oportunidade de contacto com a música clássica e a sua interpretação ao vivo a uma plateia interessada e surpreendida pela capacidade de a pianista tocar todas as peças de memória, sem pauta.

Joana Gama trouxe a público este novo recital, que seguiu a mesma ideia do recital de 2016 (por ocasião do lançamento do disco SATIE.150): intercalar a obra multifacetada de Satie com a de compositores que o seguiram na exploração do som sem constrangimentos estéticos ou formais. Neste recital, as obras de Erik Satie – que convocam ambientes solenes, melancólicos e até dançantes – convivem com as de Marco Franco, Federico Mompou, Morton Feldman, John Cage e Vítor Rua, num delicado jogo de afinidades.

UM MANIFESTO DE POESIA

Entre os dias 21 de janeiro e 7 de fevereiro, o Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo apresentou “Vamos comprar um poeta”, um espetáculo de teatro, encenado e interpretado por Adriana Campos, com apoio à conceção de figurinos e adereços de Mariana Nunes e confeção de adereços da responsabilidade da Sala T da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Esta proposta, dirigida aos alunos dos 7º, 8º e 9º anos do 3º Ciclo de Ensino Básico dos agrupamentos de escolas de Canas de Senhorim, Carregal do Sal e Nelas, circulou por seis bibliotecas escolares, chegando a 765 alunos, professores e funcionários, ao longo de 15 sessões.

O livro de Afonso Cruz, que deu nome ao espetáculo, foi a inspiração para esta criação a solo, na qual Adriana Campos representa uma personagem adolescente que defende os altos benefícios da poesia, num texto tão irónico quanto inteligente. Apesar da complexidade do discurso, o público-alvo (da mesma idade da personagem) facilmente se deixa conquistar, mantendo uma atenção surpreendente nas histórias que se cruzam num cenário de prateleiras de livros cobertas de plástico, adereços de papel amarelecido e caixas de madeira com conteúdo “frágil”. Como frágeis são as relações da família desta rapariga que nos descreve a experiência exótica de adquirir um poeta, convicta de que essa aquisição reduz o stress do pai, da mãe e do irmão e os torna cidadãos mais produtivos, concentrados e eficazes. O que ela não espera é que o poeta lhe dê a mão, a faça descobrir essas coisas inutilistas a que chamam me(n)táforas e a repensar a sua pirâmide das necessidades…

Este é um espectáculo-manifesto que voa das páginas em que foi escrito para tornar a vida menos desfocada! E chega a todos, como um alerta sensível para aquilo que é ou deveria ser verdadeiramente importante.  No final, ainda é possível os espectadores partilharem ideias, opiniões e outras questões como estas: “Surpreendeu-me a ideia de que de uma janela pequena podemos ver o mar grande, porque é mesmo verdade!”; “Gostei do momento em que [a personagem] defendeu aquilo em que acreditava”; “Foi inspirador da janela mostrar o mar”; “A sociedade é materialista, mas isto [poesia] também é importante”; “É a visão de alguém que vê mais do que as outras pessoas, que pensa e que sente…”; “Ela está a comer [numa biblioteca abandonada], porque é uma inspiração para ela”; “A personagem espantou-me, porque vê o mundo de duas maneiras”; “Surpreendeu-me o poeta, por causa das inutilidades que dizia e, afinal, é grande!”; “A lupa pode fazer-nos imaginar coisas que ainda não estão cá, que ainda não foram descobertas”; “O rolo de papel branco é como o rolo da nossa vida”; “A sensação que tive foi como se nós fôssemos migalhas, porque somos levados pelo vento, e somos aves, porque também levamos os outros”.

Os objetivos artísticos e educativos desta proposta foram: proporcionar o contacto com diferentes formas de expressão e criação artística, como o teatro e a literatura; estimular competências expressivas e criativas, através do olhar, do pensar e do sentir; proporcionar a fruição de objetos artísticos em espaços não convencionais, como as bibliotecas escolares; promover a sensibilidade poética, estética e artística. Porque, como escreve Afonso Cruz, no livro “Vamos comprar um poeta”: “Percebi que estava cada vez mais inutilista e que pensava em coisas só pela beleza… (…) Por isso, jamais deixarei de me sentar ao seu lado, com metáforas na garganta, a trocar inutilidades. Tenho milhas a percorrer antes de dormir.”

 

 

Exposição – “REFIGURAÇÃO”

“A exposição Refiguração pretende tratar, através de fotografia, vídeo e som, aspectos relacionados com o registo e documentação de obras de arte em espaço expositivo, favorecendo um tipo de registo fotográfico que, sem prejudicar a sua função documental, propõe uma abordagem que explora uma outra dimensão perceptiva, quer pela presença das sombras, criadas pela modelação da luz, quer pelos efeitos de movimento arrastado do elemento humano, num acontecimento (happening) imprevisível, observado em forma de relance. É neste contexto que se compreende o título REFIGURAÇÃO, uma vez que as imagens expostas dão destaque a elementos visuais (sombras e arrastamentos) que, na verdade, na forma em que são apresentados, apenas existem no espaço bidimensional da fotografia e não no espaço físico em que os objectos artísticos foram exibidos.

Este trabalho surge na sequência, por um lado, da actividade de documentação das exposições de Arte Contemporânea promovidas sobretudo pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, desenvolvida nos últimos anos, e, por outro, da investigação académica realizada sobre a recepção da obra de arte pela fotografia.

A exposição, entendida também como um processo de investigação, está concebida de modo circular, como que em loop, aspecto comum às três peças que a constituem: um conjunto de treze fotografias, doze com as dimensões de 43,34 x 65 cm e uma com 30 x 40 cm, um vídeo com entrevistas feitas a dois artistas (José Maçãs de Carvalho e Enzo de Leonibus), que partilham as suas reflexões sobre a relevância de alguns elementos visuais nas fotografias realizadas, ou discutem o papel da luz como matéria, capaz de gerar realidades, significados simbólicos ou diferentes percepções sobre os espaços, as pessoas e as coisas, um segundo vídeo, cedido pela artista Júlia Ventura, e uma instalação sonora. Uma das peças integrantes desta exposição (a coluna de som) fez parte da exposição Fiori Nel Mare, da artista italiana Bruna Esposito, que gentilmente a cedeu por ocasião da sua apresentação no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra (de 14.9.2018 a 25.10.2018).

A apresentação da exposição contou com as intervenções do Doutor António Olaio, Director do Colégio das Artes da UC, e do Doutor Luís Umbelino, Professor da Faculdade de Letras da UC.
Esta exposição teve ainda o apoio científico do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos.
Apresenta-se ainda um conjunto de textos relacionados com o tema da exposição, da autoria destes e de outros investigadores, que em muito têm contribuído para que o processo de investigação de que esta exposição faz parte se desenvolva e consolide a cada dia.”

Link para noticia com vídeo e áudio da inauguração:

https://www.visualkosmos.com/…/-refiguration-of-space-galle…

Texto e fotos de: Vitor Garcia (Autor da Exposição).