Pensar Alto – 8.ª Edição

Pensar Alto – 2018
Jovens mostraram as muitas faces do “nada”

A 8.ª edição do projeto Pensar Alto teve lugar dia 9 de junho na Fundação Lapa do Lobo, subordinada, este ano, ao tema «O que interessa verdadeiramente aos jovens? Ou de como os jovens não se interessam por nada.»
Pensar Alto é um projeto de promoção da oralidade junto de jovens do ensino secundário, desenvolvido pelo Clube de Oralidade, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, orientado pela professora Carla Marques, que visa a promoção do pensamento crítico associado à discussão de temas polémicos ou problemáticos, com o objetivo de levar os participantes a apresentar em público um texto de opinião de defesa de uma posição relacionada com um tema proposto.
Trabalhando, mais uma vez, uma ideia provocadora que condensa um possível olhar da sociedade sobre a juventude, os participantes foram convidados a refletir sobre o tema, a desmontá-lo e a contrariar perspetivas estereotipadas que muitas vezes recaem sobre o que eles são, sobre a forma como se comportam e sobre as suas escolhas. Neste âmbito, os jovens Francisca Correia, João Pereira, Joana Almendra, Mafalda Cunha, Luciana Pessoa, Ana Albuquerque, Francisca Santos, Emanuel Marques, Carolina Costa, Laura Barroso e Maria Mendes, apresentaram, ao longo da noite, comunicações que abordaram variadíssimos aspetos do «nada», desde a discussão do conceito (por oposição a tudo), passando pelas incertezas que o futuro oferece aos jovens, que correm o perigo de se transformar em jovens nada, refletindo também sobre a importância de aprender a não fazer nada (com divulgação inclusive dos princípios do Clube do Nadismo), não esquecendo a importância do sono ou os perigos físicos e psicológicos da ociosidade, denunciando a escravização a que a sociedade submete as pessoas e as consequências de se ser viciado no trabalho e refletindo sobre a anulação de personalidades que se processa não raro em sociedade.
Foi uma noite muito rica em ideias, diferentes e estimulantes, que convidaram o público à reflexão, mostrando que, afinal, os nossos jovens se interessam por muitos assuntos e que se querem assumir como uma geração diferentes das anteriores.

Texto: Professora Carla Marques

BAILES, FESTAS E PRINCESAS PARA ESCOLAS E FAMÍLIAS

Entre o dia 21 e o dia 30 de maio, o Auditório da Fundação Lapa do Lobo (FLL) acolheu dois espetáculos, com 20 apresentações, ao longo de nove dias, para cerca de 1400 alunos e professores, pais e filhos, integrados na programação do Projeto Alcateia – Serviço Educativo da FLL.
Em comum, os espetáculos tinham uma forte componente visual e cenográfica, com interpretações que possibilitaram uma grande proximidade com o público, a partir de temáticas pertinentes, abordadas de forma lúdica e inteligente.
Com estas propostas, procurou-se ir de encontro a objetivos pedagógicos como: sensibilizar para a importância das coisas essenciais da vida, mas também para as pequenas coisas do universo, envolver as crianças na reflexão e no debate em torno de temas pertinentes para o seu crescimento e a sua cidadania, estimular competências expressivas, criativas e afetivas, desenvolver a imaginação e promover a sensibilidade estética e artística.

O BAILE DAS COISAS IMPORTANTES
O espetáculo “O Baile das coisas importantes” foi apresentado para todos os alunos do 1º CEB dos Agrupamentos de Escolas de Canas de Senhorim, Carregal do Sal e Nelas. Com encenação de Joana Providência e texto do escritor Afonso Cruz, este espetáculo de teatro, dança e música foi produzido pelo Teatro do Bolhão e interpretado pela atriz Catarina Gomes e pelo músico Tiago Candal.
Há coisas obviamente importantes que dançam e são protagonistas do baile da vida, lembramo-nos imediatamente da Natureza, dos seus elementos, das virtudes… mas chegarão também coisas insignificantes, outras inúteis, outras que não passam de detalhes. E como se não bastasse, chegarão ainda coisas indesejáveis, dificuldades e tristezas e dores. E serão todas estas coisas, coisas importantes.
Das conversas no final do espetáculo, acerca destes e outros conteúdos do espetáculo, surgiram perguntas e comentários como: “De onde vem o amor?”, “Como se formaram as estrelas?”, “Porque é que existimos?”, “Porque é que, às vezes, os nossos pais são estranhos?”, “As coisas más dançam com as coisas boas da vida”, “A coragem é poder ajudar as pessoas”, “Por mais que as coisas sejam insignificantes podem ser importantes”, “Até as coisas insignificantes têm um significado”.

AQUI HÁ LOBO… – FESTA PARA A FAMÍLIA
Maio é o mês das famílias e das flores. Por isso, fomos comemorar para o palco, para o pátio, para a rua, para todo o lado! Em cada ano, no último sábado do mês de maio, pais e filhos, avós e netos, amigos e outros entusiastas são convidados a juntar-se para olhar, pensar e sentir em família e em festa. É o “Aqui há Lobo…”, um programa que pretende promover o ser e o estar em comunidade, proporcionar a partilha, a descoberta e a experimentação, através das artes e das expressões artísticas e festejar a infância e a família. Este ano, no dia 26 de maio, foram apresentadas sessões especiais dos espetáculos “Dama Pé de Mim” e “O Baile das coisas importantes”, prolongados através de oficinas, que exploraram os universos plásticos, dramatúrgicos e/ou artísticos destes espetáculos, apelando ao brincar de forma livre e informal.

DAMA PÉ DE MIM
Farta de olhar para o umbigo, Dama Pé de Mim monta o seu Cavalo e parte à procura de um amigo. Pelo caminho, encontra a Amália, a mala que já foi crocodilo, conhece o Nuno, a nuvem caída do céu e mergulha no Rio profundo. Mas, só quando chega ao supermercado, descobre o que é um amigo. Com a ajuda do Sr. Rodrigo. Uma história luminosa, terna e divertida, com música, texto que rima e a participação do público… mãe, filho e prima! Dama Pé de Mim joga com a imaginação, e a realidade acontece de uma forma simples. O público, seu cúmplice, acompanha o seu pensamento leve… e livre. O seu castelo, outrora solitário e amarelo, acaba finalmente povoado de seres cheios de vida, história, cor e humor. Esta é a história da princesa Dama Pé de Mim, criada e interpretada por Ana Madureira, à qual assistiram todas as crianças do Ensino Pré-Escolar dos concelhos de Carregal do Sal e de Nelas.

MARIA NATÁLIA MIRANDA

MARIA NATÁLIA MIRANDA

1925-2018

 

A Fundação Lapa do Lobo pretende, através destas singelas palavras, prestar homenagem a Marian Natália Miranda, falecida no passado dia 23 de maio, apresentando as condolências à família, amigos e admiradores.

 

Natural de Canas de Senhorim, Maria Natália Miranda licenciou-se em Filologia Românica e completou os cursos de Ciências Pedagógicas e do Magistério Primário.

 

Conta com mais de 60 obras em vários campos: poesia, Infantojuvenis e pedagógicos, que lhe valeram cerca de 400 prémios literários no país e estrangeiro.

É autora de poemas que ainda hoje se ouvem em Marchas Populares de Lisboa e no carnaval de Canas de Senhorim.

 

Num ato de genuína bondade, Maria Natália Miranda ofereceu à Biblioteca da Fundação Lapa do Lobo um exemplar de cada um dos seus livros, que compõem o Fundo Natália Miranda, disponível para consulta e empréstimo na nossa Biblioteca.

 

Nenhum texto fará jus à gratidão que sentimos pelo contributo educativo e herança cultural que Maria Natália Miranda nos deixa. Despedimo-nos da autora da forma que consideramos mais nobre: as suas próprias palavras.

 

“Terra

venho do teu regaço

de argilas sinuosas

do teu corpo suado

transfigurado em rosas.

(…)

Minha Terra de feno e granito

minha aguarela branca entre montados”

 

Maria Natália Miranda (2003)

 

ENCONTROS DA EDUCAÇÃO E DO PENSAMENTO

A segunda edição de ENCONTROS DA EDUCAÇÃO E DO PENSAMENTO, integrada na programação do Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo (FLL), realizou-se nos dias 26, 27 e 28 de abril, no Auditório Maria José Cunha.
Na edição de 2016, esta conferência contou com um programa mais generalista, que teve a intenção de lançar uma série de conceitos-chave relacionados com a infância e a educação. Nos anos seguintes, mantendo uma regularidade bienal, o objetivo é aprofundar temas específicos em cada edição. Assim, em 2018, o grande tema foi “Liberdade na Infância”.
À semelhança do que aconteceu na edição anterior, os Encontros da Educação e do Pensamento contaram com a presença de um público diversificado, oriundo dos concelhos de Carregal do Sal e Nelas, abrangidos pela intervenção regular da FLL, mas também de locais mais distantes como Viseu, Coimbra, Guimarães ou Lisboa.

Como prometido na primeira edição, desta vez, estes Encontros foram alargados às crianças, através da “Mini-Conferência para Miúdas e Miúdos Curiosos”, à qual assistiram cerca de 230 crianças, pais e professores, ao longo de cinco sessões. Esta proposta de conferência pensada para crianças, em contexto de escola e de família, foi construída em parceria com o Teatro Maria Matos, com o apoio criativo do dramaturgo José Maria Vieira Mendes e com a autoria da socióloga da infância Gabriela Trevisan.
Para a criação da Mini-Conferência, esta equipa, junto com o Serviço Educativo da FLL, visitou escolas dos Agrupamentos de Canas de Senhorim, Carregal do Sal e Nelas e conversou com turmas do 5º ano sobre Liberdade. A partir de um conjunto de perguntas, problematizou-se o tema, resultando respostas muito pertinentes. À pergunta “Quando é que não somos livres?”, os alunos responderam: “Quando acordamos…”, “Quando obrigam as pessoas a fazerem coisas que elas não querem”, “Quando ficamos fechados num sítio sem poder sair, sem ver o mundo.(…)Conhecer o mundo é ser livre”, “Quando há guerra”, “Quando somos maltratados”, “Quando somos manipulados”, “Nas aulas, não somos livres”, “Eu gosto das quartas-feiras, porque somos mais livres”. Quanto à pergunta “E quando é que somos mais livres?”, surgiram respostas como: “Quando podemos mandar em nós próprios e escolher o nosso lugar”, “Podemos ser livres se as pessoas nos respeitarem”, “Eu sinto-me mais livre quando estou sozinho em casa”. Quando confrontados com a questão “Quem tem mais liberdade, as crianças ou os adultos?”, afirmaram: “As crianças são mais livres, porque os adultos têm mais responsabilidade”, “Para ser totalmente livre, acabava por ficar sozinho”, “Se nos dessem liberdade para tudo, era uma confusão”. Colocou-se ainda a pergunta “Sentem que têm liberdade para falar?”, a qual despoletou reações como: “Nas aulas, temos liberdade para falar… mas não para falar uns com os outros”, “Somos mais livres quando pensamos, porque, às vezes, quando falamos, somos criticados”. Finalmente, a pergunta “Quais são as liberdades mais importantes?” obteve a resposta unânime: “Brincar, aprender e ter uma família que cuida de nós”.
A partir desta pesquisa junto dos alunos, nasceu a Mini-Conferência, um formato de participação ao qual normalmente os mais novos não acedem, proporcionando assim uma oportunidade de diálogo aberto entre a oradora e as crianças.

Para além da Mini-Conferência, os Encontros contaram com as comunicações de Álvaro Laborinho Lúcio e de Carlos Neto. A introdução destas comunicações ficou a cargo de Carlos Torres, Presidente do Conselho de Administração da FLL, e de Ana Lúcia Figueiredo, Coordenadora e Programadora do Serviço Educativo da FLL.
O primeiro orador, Álvaro Laborinho Lúcio, Juiz Jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, antigo Ministro da Justiça, Deputado à Assembleia da República e cidadão com intensa atividade cívica, entre muitos outros cargos, apresentou a comunicação “Educação e Liberdade – de pequenino se torce o destino”, durante a qual alertou a plateia para a importância de educar (as crianças) e formar (os professores) para os direitos, remetendo para a Convenção dos Direitos da Criança. Com um discurso assertivo e inspirador, este orador afirmou que é necessário olhar para as crianças e reorganizar a escola pública de baixo para cima, defendendo que “A escola deve formar desobedientes críticos”.
O segundo orador, Carlos Neto, Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e fundador da Sociedade de Educação Física, foi também membro do Conselho Coordenador do Instituto de Apoio à Criança e presidente da Sociedade Internacional para Estudos da Criança, para além de se dedicar ao estudo do desenvolvimento de habilidades motoras e efeitos de situações de ensino. A sua comunicação, que conquistou o entusiasmo do público, intitulada “Libertem as crianças: mais mobilidade e risco, autonomia e participação”, contrapôs a “cultura do risco” à “cultura do medo”, no que diz respeito à literacia motora e ao conhecimento e desenvolvimento do corpo, defendendo que “brincar é apropriar-se do mundo” e “o risco é o motor simbólico do eu”.

Retomando um excerto de um dos livros que inspirou o pensamento, a preparação e a divulgação desta edição dos Encontros: “Quando somos crianças, o mundo fica bonito de repente. E simples. Parece um céu aberto com estrelas possíveis de serem apanhadas e guardadas numa gaiola sem paredes de fechar ninguém.” (“Uma Escuridão Bonita”, de Ondjaki).

Biblioteca da Fundação Lapa do Lobo celebra Dia Mundial do Livro a semear “Canteiros das palavras”

No passado dia 23 de abril, a Biblioteca da Fundação Lapa do Lobo celebrou o Dia Mundial do Livro a semear palavras, através da iniciativa “Canteiro das palavras”, que juntou diferentes gerações, num compromisso pessoal com as palavras, a terra e a natureza.

Depois do sucesso do “Canteiro das palavras” realizado no âmbito do “Elos: Festa Literária de Nelas”, que envolveu cerca de duas centenas de participantes, o Dia Mundial do Livro foi a razão que levou à repetição da iniciativa, desta vez para novos públicos.

A manhã foi passada junto dos alunos com Currículo Específico Individual, na Escola Secundária de Carregal do Sal e na Escola Básica Nuno Álvares, com a colaboração do Departamento de Educação Especial e a companhia de alguns elementos da Universidade Sénior de Carregal do Sal.

À tarde, a sementeira poética aconteceu na própria sede da Universidade Sénior de Carregal do Sal, com a forte presença dos seus alunos.

Em todos os locais foi possível ler poemas sobre a árvore, o ambiente e a natureza; cantar a canção “Canteiro das palavras”, composta propositadamente para o efeito, e alterar a letra da canção, com propostas de todos os intervenientes, de modo a inspirá-los a escrever as suas mensagens num papel especial, com sementes prontas a brotar e a ganhar vida.

Daqui a algumas semanas, será possível passar pelos canteiros das palavras e ver floridas as palavras, os poemas e desenhos semeados numa feliz comunhão com a terra, o livro e o ser humano.

1.º Grande Concerto da Primavera da FLL

No passado sábado, 21 de Abril o Centro Cultural de Carregal do Sal encheu-se para o 1.º Grande Concerto da Primavera da Fundação Lapa do Lobo. Este concerto contou com a participação das quatro Bandas Filarmónicas apoiadas pela Fundação, a saber:
– Sociedade Musical 2 de Fevereiro de Santar;
– Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias;
– Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato;
– Sociedade Musical de Santo António de Carvalhal Redondo.
A grande novidade do concerto deste ano,além da participação especial da Contracanto – Associação Cultural, que participou com três momentos teatrais e musicais, foi também a participação da totalidade dos elementos que compõem as Bandas Filarmónicas, pois em anos anteriores além do espetáculo ter uma designação diferente participavam apenas alguns grupos dentro das próprias Bandas.
Foi sem dúvida um serão bastante apreciado pelas cerca de 3 centenas de pessoas que encheram o auditório do centro cultural, e no final o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Lapa do Lobo – Dr. Carlos Torres, chamado a palco juntamente com os 4 Presidentes das bandas, os 4 Maestros e o Encenador António Leal, assim fez questão de o demonstrar, enaltecendo o maravilhoso momento ali acabado de ser vivido, e feito com gente da “nossa terra” ficando ainda o compromisso de se repetir no próximo ano a 2.º edição.