Projeto Alcateia > Relatório 2018

  • Paul Ricoeur
    A minha finalidade com este ensaio é definir a noção de identidade narrativa, isto é o tipo de identidade à qual um ser humano acede graças à mediação da função narrativa. (…) Eu formulei, então, a hipótese de que a construção da identidade narrativa, seja de uma pessoa individual, seja de uma comunidade histórica, seria o lugar procurado desta fusão entre história e ficção.
    Paul Ricoeur
O ano de 2018 ficou marcado pelo conceito de IDENTIDADE, na programação do Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo. O que nos caracteriza como indivíduos? Que elementos nos aproximam enquanto comunidade? Qual o nosso olhar sobre o nosso território? A memória é ficcional? Defendemos todos os mesmos valores, por partilharmos um tempo e um lugar? É possível sermos sem liberdade? Quais são as coisas verdadeiramente importantes na vida de uma pessoa e de uma sociedade? Como podemos agir sobre as fragilidades de mundos distantes? Quem constrói a(s) nossa(s) história(s)?

Foram sobretudo perguntas que estiveram na origem dos projetos propostos. Perguntas que pretenderam fazer eco naqueles que nos seguem, para que cada um encontre as suas respostas ou descubra novas perguntas. E estes que nos seguem são cada vez mais diversos: das famílias aos professores, dos alunos dos 3 aos 18 anos, da comunidade da aldeia aos jovens de vários municípios, dos artistas ao público em geral.

Através do teatro, da dança, da música, da literatura, da fotografia, do cinema, da ciência… prosseguimos o trabalho de educação pela arte, para que todos tenham acesso a múltiplas representações do real e possam, assim, criar as suas próprias representações. Porque o real, tal como nós, é feito de narrativas.

E o ano de 2018 permitiu-nos, efetivamente, continuar a construir histórias em conjunto, indo ao encontro, uma vez mais, do Plano de Ação e dos objetivos anuais do Projeto Alcateia.

Objetivos Específicos

  • Retomar a discussão cíclica formal sobre questões ligadas à educação, à infância e ao pensamento;
  • Apostar em novos formatos de atividades e projetos, quer do ponto de vista do seu resultado final, quer do ponto de vista do seu próprio processo de criação;
  • Colaborar com artistas e outros profissionais que possam criar e/ou desenvolver efetivas relações humanas e territoriais, a partir da intervenção do Projeto Alcateia junto dos respetivos públicos-alvo;
  • Dar continuidade à oferta regular e diversificada para públicos distintos: escolas (todos os níveis de ensino), famílias, agentes educativos, crianças/jovens e outros públicos ocasionais.

Características e Contexto das Ações

Ao longo deste ano, foram 20 as atividades propostas para os mais diversos públicos, desde espetáculos, concursos, conferências, sessões de cinema, visitas, oficinas, ações de formação e outros encontros, todos eles convites à descoberta e à experimentação.

Para além do envolvimento dos Agrupamentos de Escolas, IPSS e Escolas Privadas de Canas de Senhorim, de Carregal do Sal e de Nelas, o Projeto Alcateia procurou o envolvimento das famílias, assim como do público adulto, designadamente os agentes educativos, em formatos de ação de formação, em áreas de cruzamento entre a prática artística e a prática educativa.

No total, foram 3667 os participantes em atividades e projetos do Serviço Educativo da Fundação, em 2018. Este número de público, que se tem mantido ao longo dos anos, só foi possível com a colaboração de 30 profissionais (artistas, companhias e formadores), alguns dos quais colaboradores regulares do Projeto Alcateia. As parcerias pontuais com outros agentes e instituições são também valorizadas na ação deste Serviço Educativo, que, durante este ano, contou com a parceria do Clube de Oralidade do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, do Cineclube de Viseu, do Centro Cultural de Carregal do Sal e do Teatro Municipal Maria Matos, de Lisboa.

A programação estendeu-se por vários espaços, desde o Auditório Maria José Cunha, passando pelo pátio da Fundação, as ruas da aldeia da Lapa do Lobo, o Centro Cultural de Carregal do Sal, as salas de aula, as bibliotecas e o recreio das escolas, e outros lugares improváveis, mas sempre possíveis para a partilha.
  • in texto do espetáculo
    Assim, um inventa uma pergunta, o outro inventa uma resposta. No fundo, é como dançar. Como já foi dito, tudo dança. Antes de existirem coisas já existia um enorme baile. Depois inventaram-se as coisas, planetas, pessoas, flores, árvores, para encarnarem a dança. Assim como o vento só esperava um chapéu para que a sua coreografia se tornasse visível.
    in texto do espetáculo
    “O Baile das coisas importantes”
Muitas foram as perguntas e as respostas que os públicos fizeram ou arriscaram, ao longo de 2018, na sequência das ações do Projeto Alcateia:

  • “De onde vem o amor?”
  • “Tudo o que acaba deixa vestígios…”
  • “Somos mais livres quando pensamos, porque, às vezes, quando falamos, somos criticados.”
  • “Porque é que nascemos?” – “Para crescermos e sermos felizes!”
  • “Como se formaram as estrelas?”
  • “As árvores, não sei porquê, transmitem-me liberdade.”
  • “O que é a coragem?” – “A coragem é ajudar os outros.”
  • “As coisas más dançam com as coisas boas.”
  • “Nós fazemos a nossa paisagem.”
  • “Quando é que não somos livres?” – “Quando acordamos…” / - “Quando ficamos fechados num sítio sem poder sair, sem ver o mundo. (…) Conhecer o mundo é ser livre.”
  • “Até as coisas insignificantes têm um significado.”
Estas ideias, partilhadas num encontro-debate, numa oficina ou no final de um espetáculo, em sussurro ou em alta voz, são matéria inspiradora para a ação do Projeto Alcateia. São elas os elementos mais relevantes para uma avaliação verdadeiramente qualitativa de uma atividade.


Formação

No contexto formativo, à semelhança das restantes atividades, o Projeto Alcateia tenta sempre criar uma oferta diversificada, que continue a privilegiar os agentes educativos como público-alvo, mas que permita igualmente o acesso a outras pessoas interessadas. Assim, durante o ano de 2018, foram apresentados os seguintes momentos formativos:

  • “Escrever (par)a Infância”, com a escritora Ana Saldanha, foi um workshop de escrita criativa aberto a todos os públicos maiores de 18 anos, que inspirou textos sobre as histórias pessoais dos participantes, a partir da memória da sua infância.
  • “Encontros da Educação e do Pensamento”, com Álvaro Laborinho Lúcio e Carlos Neto como oradores convidados, teve a sua segunda edição dedicada à liberdade na infância.
  • “Despentear o Sentir”, com a artista Marina Palácio, foi uma ação de formação que não chegou a acontecer, por falta de número mínimo de inscrições, pelo que foi adiada para março de 2019.
As propostas de formação, de um modo geral, responderam a objetivos como: promover novos recursos de pensamento, expressão e comunicação; desenvolver competências criativas e expressivas; promover a reflexão e o debate sobre educação; dar a conhecer distintos modelos, metodologias, práticas e teorias educativos, formais e não formais; sensibilizar para a importância da criatividade e da imaginação no desenvolvimento de competências; estimular espaços mais livres e democráticos para a relação de ensino-aprendizagem; contribuir para a criação de técnicas, metodologias e recursos didáticos interessantes e inovadores; promover a aprendizagem contínua.


Espetáculos

Os espetáculos são provavelmente o formato de atividade que mais potencia a magia, a surpresa e o questionamento, mas também o que envolve maior investimento orçamental, por isso a sua escolha é sempre muito criteriosa, quer em termos artísticos, quer em termos educativos. Em 2018, os espetáculos programados tiveram em comum a questão da complexidade das relações humanas e da identidade pessoal e coletiva:

  • “O Baile das coisas importantes”, uma encenação de Joana Providência para alunos do 1º CEB, explorou conceitos políticos e sociais nos quais se baseiam as relações humanas, desde o nível da relação interpessoal ao nível da relação entre países ou povos.
  • “Dama Pé de Mim”, uma criação de Ana Madureira para alunos do Ensino Pré-Escolar, abordou de uma maneira afetiva questões como a amizade e a interajuda.
  • “Mapa – contos e cantos”, da autoria do músico Fernando Mota para alunos do 1º CEB, numa versão para a infância, revelou uma pesquisa dramatúrgica e musical sobre os conceitos de território e fronteira, pertença e liberdade.
  • “Mapa – estórias de mundos distantes”, igualmente da autoria de Fernando Mota para alunos do 12º ano do Ensino Secundário, numa versão para adultos, aprofundou os mesmos conceitos.
As conversas no final dos espetáculos continuam a ser momentos de partilha e de liberdade de expressão para as crianças e os jovens, tendo-se tornado já uma componente do próprio espetáculo.

Todos os espetáculos apresentados foram de encontro aos seguintes objetivos: sensibilizar para a importância de valores e emoções, através da imaginação; envolver as crianças e os jovens na reflexão e no debate em torno de temas pertinentes para o seu crescimento e o seu desenvolvimento; estimular competências expressivas, criativas e afetivas; promover a sensibilidade estética e artística; proporcionar a fruição de objetos artísticos de criação nacional de qualidade.


Oficinas

O formato de oficina continua a ser muito importante na programação do Projeto Alcateia, pelo seu caráter laboratorial e de experiência individual e coletiva. Em 2018, foram desenvolvidas sete oficinas distintas:

  • “Karamázov – da Literatura para o Teatro”, uma oficina de criação teatral desenvolvida por Sónia Barbosa, no seguimento de um conjunto de workshops anteriores sobre a obra “Os Irmãos Karamázov”, com uma turma do Agrupamento de Escolas de Canas de Senhorim, que teve uma apresentação pública final na própria escola.
  • “Narrativas de Luz e Sombra” e “Caçadores de Paisagens”, oficinas de fotografia para jovens associadas à exposição de Duarte Belo “Lugares para Viagem”, dinamizadas por Cristina Nogueira e pelo próprio artista, a partir da metodologia de Photovoice.
  • “Histórias ao Pé de Mim”, oficina integrada em “Aqui há Lobo”, em associação ao espetáculo “Dama Pé de Mim”, para exploração do universo do espetáculo por parte de pais e filhos.
  • “Tudo tem Pares, ninguém dança Sozinho”, oficina integrada em ”Aqui há Lobo”, em associação ao espetáculo “Baile das coisas importantes”, também para exploração do universo do espetáculo por parte das famílias.
  • “Histórias Escondidas”, oficina de férias de Verão, orientada por Marina Palácio, a partir da interpretação da Natureza através da poesia e da ciência, com a habitual apresentação final para amigos e familiares dos participantes.
  • “Casa do Espelho ou ainda esta manhã sabia quem eu era”, oficina de férias de Natal, orientada por Adriana Campos e inspirada no tema da identidade, com a já referida apresentação final.
Em termos de objetivos partilhados em todas as oficinas, pode-se assinalar: proporcionar o contacto com linguagens artísticas como recursos de expressão, comunicação e investigação; estimular o espírito de curiosidade e de criatividade; potenciar o ato crítico e criativo; criar espaços de liberdade de expressão e de criação; estimular competências expressivas e criativas; proporcionar a descoberta e a experimentação partilhada, em processos artísticos de criação; suscitar a reflexão e o debate em torno de temas pertinentes; criar, ou aprofundar, uma relação afetiva e efetiva com a aldeia da Lapa do Lobo.

Uma vez mais, este formato de ação, independentemente da linguagem artística ou área de conhecimento abordada, privilegia a participação do público em processos criativos, que apelam à autonomia, à autoconsciência, à inter-relação, à descoberta, à inovação, ao pensamento, ao respeito pela diferença, potenciando competências pessoais e sociais essenciais para uma educação integral e humana.


Outras Ações

As ações não integradas nas categorias anteriores foram:

  • “Lugares do Tempo”, um projeto com a comunidade, que constituiu um dos percursos criativos associados à exposição “Lugares para Viagem”, de Duarte Belo, através da integração de fotografias antigas cedidas pelos habitantes locais. Para além da recuperação destes registos fotográficos, tentou promover-se a valorização da paisagem e da arquitetura da região, envolver a comunidade local em projetos artísticos inspirados no próprio território e na própria identidade, assim como estimular o encontro, a partilha e o conhecimento em contexto comunitário.
  • “Encontro Literário”, um encontro da escritora Ana Saldanha com alunos do 3º CEB, em cada agrupamento de escolas, no contexto do concurso “Texto puxa Palavra”. Com este encontro, tornou-se possível promover a leitura, o livro e a literatura e proporcionar o contacto com escritores e obras literárias.
  • “Texto puxa Palavra”, o concurso de oratória, coordenado em parceria com a professora Carla Marques, cumpriu cinco edições, com os objetivos de dar espaço à expressão do público jovem (alunos do 3º CEB), sensibilizar para a importância do falar em público, estimular competências de comunicação e de expressão do pensamento e promover o sentido crítico, sem esquecer de proporcionar o encontro e a partilha entre alunos de escolas diferentes. Na edição deste ano, fizeram parte do Júri a escritora Ana Saldanha, o encenador António Leal e a investigadora/professora da Universidade do Porto Ana Mouraz, cujas presenças enriqueceram mais uma vez o Concurso, pela partilha do conhecimento e da experiência, em cada uma das áreas respetivas das provas.
  • “Mini-Conferência para Miúdas e Miúdos Curiosos” trouxe um formato novo para o público-alvo (5º ano do 2º CEB), promovendo um novo espaço de participação para as crianças, envolvendo-as na reflexão e no debate em torno de temas pertinentes para o seu crescimento e amadurecimento (como o tema da Liberdade) e proporcionando o contacto com criadores e investigadores de áreas relacionadas com a infância, como a socióloga Gabriela Trevisan e o dramaturgo José Maria Vieira Mendes.
  • “Aqui há Lobo”, a festa anual para a família, teve como objetivos promover o ser e o estar em família; proporcionar a partilha, a descoberta e a experimentação, através das artes e das expressões artísticas; estimular competências expressivas e criativas; festejar a infância e a família.
  • “Histórias Curtas” mantém-se anualmente com as sessões de cinema de animação, pensadas em conjunto com o Cine Clube de Viseu, para públicos diferenciados. Em 2018, as temáticas foram a identidade e as relações intergeracionais, cumprindo os objetivos de promover a literacia fílmica; sensibilizar para o cinema e a linguagem audiovisual; dar a conhecer diferentes recursos, processos e técnicas do cinema de animação; estimular a reflexão e o debate em torno de temas pertinentes.

Comentários Partilhados pelo Público


Espetáculo “Baile das coisas importantes”

As conversas no final das sessões foram extremamente participadas, porque o próprio espetáculo induzia à formulação de perguntas, por isso, em todas as sessões, foram partilhadas ideias e reflexões válidas e pertinentes, como: “De onde vem o amor?”, “Como se formaram as estrelas?”, “Porque é que existimos?”, “Porque é que, às vezes, os nossos pais são estranhos?”, “As coisas más dançam com as coisas boas da vida”, “A coragem é poder ajudar as pessoas”, “Por mais que as coisas sejam insignificantes podem ser importantes”.


“Mini-Conferência para Miúdas e Miúdos Curiosos”

A “Mini-Conferência…” teve uma fase de pesquisa que envolveu turmas do 5º ano dos três agrupamentos de escolas locais, através de encontros-debate que serviram de inspiração para os conteúdos da conferência. A partir de um conjunto de perguntas, problematizou-se o tema da Liberdade, resultando respostas muito pertinentes. À pergunta “Quando é que não somos livres?”, os alunos responderam: “Quando acordamos…”, “Quando obrigam as pessoas a fazerem coisas que elas não querem”, “Quando ficamos fechados num sítio sem poder sair, sem ver o mundo.(…)Conhecer o mundo é ser livre”, “Quando há guerra”, “Quando somos maltratados”, “Quando somos manipulados”, “Nas aulas, não somos livres”, “Eu gosto das quartas-feiras, porque somos mais livres”. Quanto à pergunta “E quando é que somos mais livres?”, surgiram respostas como: “Quando podemos mandar em nós próprios e escolher o nosso lugar”, “Podemos ser livres se as pessoas nos respeitarem”, “Eu sinto-me mais livre quando estou sozinho em casa”. Quando confrontados com a questão “Quem tem mais liberdade, as crianças ou os adultos?”, afirmaram: “As crianças são mais livres, porque os adultos têm mais responsabilidade”, “Para ser totalmente livre, acabava por ficar sozinho”, “Se nos dessem liberdade para tudo, era uma confusão”. Colocou-se ainda a pergunta “Sentem que têm liberdade para falar?”, a qual despoletou reações como: “Nas aulas, temos liberdade para falar… mas não para falar uns com os outros”, “Somos mais livres quando pensamos, porque, às vezes, quando falamos, somos criticados”. Finalmente, a pergunta “Quais são as liberdades mais importantes?” obteve a resposta unânime: “Brincar, aprender e ter uma família que cuida de nós”.


Visita-Oficina “Narrativas de Luz e Sombra”

Cada participante foi desafiado a fazer o seu registo fotográfico pessoal, a partir do pátio da Fundação, num formato de grande liberdade estética e criativa: a cruz da capela em contraluz, o trevo entre granitos, a bica de água a correr, a oliveira grande com a serra atrás, pequenas estatuetas de pedra, um telheiro, paredes de pedra e aço, plantas rasteiras de várias cores, a textura das árvores… E daqui surgiram breves narrativas, inspiradas por leituras visuais do nosso território: “Só podemos observar a Natureza através da luz”; “A efemeridade da Natureza e a longevidade das memórias”; “A oliveira transmite uma sensação de tranquilidade e pureza”; “É preciso ter coragem para sairmos da nossa própria sombra”; “O aço e a pedra, a sombra e a luz, construções humanas”…


Oficina “Caçadores de Paisagens”

No percurso final da oficina, ouviram-se registos escritos sobre a experiência, pela voz dos participantes: “Esta era uma árvore muito antiga e ardeu. Tenho muita pena dela, porque era uma recordação do meu avô”; “[Esta oficina] levou-me a aprender mais curiosidades fotográficas”; “Escolhi esta imagem, porque me fez olhar para as coisas de outra maneira: com mais cor, mais bondade e mais atenção”; “Decidi que, em todas as minhas fotos, teria que haver um pouco de Natureza”; “Esta foto é a minha favorita, porque, tal como o meu autorretrato, tem água. (…) A relação da água em todas as minha fotografias tem a ver com a tranquilidade que quero, tenho e tento transmitir”; “As minhas fotografias são influenciadas pelo lado estético”; “Solidão e vazio, o tempo e a destruição, tudo isto se une com a Natureza para nos proporcionar um momento de silêncio e de reflexão”; “Nesta semana, foi o que aprendi, que tudo tem o seu valor”.