PROCEED TO THE ROUTE OF REMEMBERING

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PROCEED TO THE ROUTE OF REMEMBERING

4 Maio | 21:30

As linhas, sombras e manchas que vemos quando fechamos os olhos mais parecem vislumbres de pequenas percepções visuais cujas formas tentamos reproduzir numa folha de papel com a esperança de poderem, no desenho, significar alguma coisa. Podemos entendê-las de outra maneira: como se os olhos fechados quisessem guardar a memória dos traços visíveis antes vistos.

Que olhos são estes?

Que corpo é este? que “guarda” linhas, sombras e manchas no escuro
depois destas desaparecerem?

 

“A EXPERIÊNCIA TORNA-SE OBJECTO DE EXPERIMENTAÇÃO. AO MESMO TEMPO, O SUJEITO PROJECTA-SE NELE, COMO SE O MOVIMENTO DO FENÓMENO COINCIDISSE COM O MOVIMENTO DO PENSAMENTO. ISTO OFERECE À NOVA EXPERIÊNCIA CONSTRUÍDA UMA EXTRAORDINÁRIA PROXIMIDADE, OU MESMO FUSÃO COM O SUJEITO, O QUAL, NO ENTANTO, CONSERVA A POSSIBILIDADE DE MODULAR A SUA DISTÂNCIA COM O OBJECTO – PERMITINDO DESTA FORMA OBSERVÁ-LO, PENSÁLO,  ENCARÁ-LO DE DIFERENTES PONTOS DE VISTA […]”

José Gil, in «Caos e Ritmo», p.367.

 
 
Com efeito, é através desta experiência, da repetição deste gesto de abrir e fechar os olhos que surgem — sem localização determinada, com uma presença efémera, transitória — linhas, sombras e manchas. Esses corpos flutuantes provocam outra forma de presença que rapidamente se transforma em ausência.
 
Abrem-se e fecham-se os olhos.
 
Suspende-se a explicação cientifica da fototransdução e abrem-se campos na nossa experiência interior a novos entendimentos sobre essas formas de contornos diversos que nos ativam memórias.
 
A suspensão da explicação científica permite agir diretamente sobre essas primeiras linhas, sombras e manchas. Só mais tarde, essas primeiras imagens revelam memórias e com elas surge a possibilidade de sermos envolvidos por uma atmosfera que transforma uma sombra inicialmente abstrata em sombras outras.
 
É neste jogo, de adormecer e acordar, de fechar e abrir os olhos que estas linhas, que estas sombras, que estas manchas se foram revelando.
 
No centro desta exposição encontra-se uma reflexão sobre a “memória do corpo” que entendemos sedimentar-se na memória dos lugares, dos objectos, dos movimentos, dos sons e aromas. Esta nossa experiência, deve ser entendida também, portanto, como um processo de investigação que reflete sobre a estrutura conceptual que temos vindo a desenvolver em torno dos temas da memória e da corporeidade utilizando linguagens artísticas como a fotografia, o vídeo, o áudio, ou outros meios plásticos.
 
Estamos gratos à Fundação Lapa do Lobo por acolher esta exposição e a todos os visitantes que tenham a  possibilidade de a visitar.
 
Vítor Garcia
 
 
Público-Alvo Todos os públicos Horário 21h30 Lotação 80 Lugares Local Galeria da Fundação Lapa do Lobo, FLL 

Detalhes

Data:
4 Maio
Hora:
21:30
Categorias de Evento:
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