LAPA DO LOBO: ALDEIA CULTURAL UMA ALDEIA INTEIRA PARA CADA UM

E foi, durante três dias, uma aldeia inteira, que cada um conseguiu visitar, ver, tocar, cheirar, sentir, mexer… Três dias que marcaram o 1º Encontro Artístico Lapa do Lobo: Aldeia Cultural, numa coorganização da Fundação Lapa do Lobo (FLL) e Contracanto Associação Cultural, com o apoio da Câmara Municipal de Nelas, da Junta de Freguesia da Lapa do Lobo e da ADCL – Associação desportiva e Cultural Lapense.

Entre 6ª feira, dia 20 e domingo, dia 22, houve atividades para todos os gostos, idades, feitios e habilidades, em diferentes lugares da aldeia, desde FLL, Contracanto, Jardim Fundação Lapa do Lobo, Jardim de Infância da Lapa do Lobo ou ADCL. Mas também, e principalmente, na rua, nos terreiros e até em algumas casas dos próprios habitantes da Lapa, que ofereceram as suas lojas, portas, portadas, janelas e pátios para a realização de muitos dos eventos. De referir também a Restauração, com o Restaurante, os Petiscos e os Refrescos da Aldeia, montados propositadamente para estes três dias de Encontros Artísticos.

Ao longo do fim-de-semana foi possível visitar 5 exposições em permanência: Aldeia, composta por objetos disponibilizados pelos próprios habitantes da Lapa do Lobo; A História que os Adereços Contam, na Contracanto; O Mundo Encantado dos Livros Pop Up, na FLL; Surreal Festivo, uma exposição de aguarelas de Luís Branquinho e a Toalha Poética, uma toalha de linho bordada há cerca de 5 anos pelo Ponto sem Nó – Clube Lapense de Bordados e Artesanato. Também foi possível apreciar várias instalações artísticas espalhadas pela Lapa do Lobo, que apelavam à memória, ao pensamento crítico e à reflexão individual.

Uma menção à Animação de Rua, da qual destacamos o Fotógrafo à La Minute, a Bicicleta da Serigrafia com o AtelierSer, o Teatro Habitus ou os Breves Lamirés: momentos musicais, que surpreendiam ao virar da esquina, com uma espontaneidade e qualidade singulares.

A somar a todos estes eventos, não podemos esquecer um dos pratos fortes da Aldeia Cultural: As 17 Oficinas, sobre os mais variados temas – que abraçaram a música, a dança, o teatro, o vinho, os bordados, a tecelagem, os bilros, a cianotipia ou a arte do Pop Up – que envolveram quase 100 artistas e formadores e cerca de 300 participantes. Também houve Teatro: com o “Flautista de Hamelin”, pelo NACO’S de gente; Cinema: com “O Povo que Conta”, um documentário sobre a Lapa do Lobo realizado por Tiago Pereira; Conversas sobre Natureza e sobre a Cultura; Roteiros Culturais; Passeios de Pasteleiras; Caminhadas e muita Música: Canto Coral, com a presença dos Canto e Encanto e dos CANTAT; concerto acústico com Fábio Abreu; Dj Live set com os DJ’s Crok e Jorge Fernandes; Jazz e Poesia: um espetáculo magnífico com o quarteto Manuel Lourenço, acompanhado por Cláudia Franco (na voz) e Nicolau Santos na declamação.

A encerrar o 1º Encontro Artístico Lapa do Lobo: Aldeia Cultural o artista que apadrinhou esta primeira edição: António Zambujo, num concerto intimista no Pátio da FLL.

Após estes três dias de encontros artísticos, o balanço é bastante positivo. A premissa era envolver os habitantes e convidar visitantes à aldeia e isso foi conseguido, graças ao esforço e dedicação da organização e das entidades que apoiaram a iniciativa.

Não esquecendo, também, todos os envolvidos, que, por amizade e relação de parceria às entidades já referidas, nomeadamente com a Fundação Lapa do Lobo, graciosamente ofereceram o seu contributo artístico, enriquecendo o programa. Uma palavra ainda, por outro lado, para todos os artistas que se envolveram pela primeira vez, que foram tão acarinhados pelo público como se fizessem já parte da aldeia.

As iniciativas, no geral, foram bem aceites pelos públicos às quais eram dedicadas e o número de pessoas que participou superou as expectativas. As pessoas que passearam pela Lapa do Lobo, entre visitantes e habitantes, encheram as ruas de alegria e entusiasmo. Foram centenas de pessoas envolvidas na produção deste evento e foram milhares de visitantes a usufruir das mesmas. A aldeia da Lapa do Lobo merecia esta intensidade de eventos, de encontros e desencontros, condensando em três dias o que se vai fazendo ao longo do ano. Parabéns à Lapa do Lobo, aos habitantes e visitantes, que se envolveram e aceitaram o desafio de a partir de hoje, apesar de já o serem antes, protagonistas de uma singularidade tal, que faz da Lapa do Lobo a Aldeia Cultural.

HISTÓRIAS ESCONDIDAS

Nos dias 25, 26, 27, 28 e 29 de junho, o Projeto Alcateia – Serviço Educativo da Fundação Lapa do Lobo (FLL) dinamizou mais uma oficina de férias dirigida a crianças e jovens com idades entre os seis e os 15 anos. Desta vez, a proposta artística intitulou-se “Histórias Escondidas”, uma oficina de construção de livros poéticos e naturais para contadores de histórias, criada e orientada por Marina Palácio.

Os 18 participantes experimentaram, ao longo daquela semana, um laboratório de construção de livros poéticos e sensíveis com materiais naturais, para contar histórias escondidas na aldeia da Lapa do Lobo, sobre pessoas reais e imaginárias, animais, plantas, objetos… O desafio foi treinar o olhar para a originalidade, ampliar a imaginação e apurar o sentir para o belo. A partir de um diálogo entre o cérebro e o resto do corpo, os participantes foram envolvidos num processo criativo de pensamento divergente, de escrita de biografias extraordinárias, de leitura lúdica e de poesia performativa.

Para além da consulta de livros, do estudo de imagens e do uso de materiais de expressão plástica, o grupo fez percursos pela aldeia, para observação e recolha de elementos da natureza, sempre num cruzamento entre ciência e poesia.

Como habitualmente, o Serviço Educativo definiu objetivos específicos para esta atividade, entre os quais: criar espaços de liberdade de expressão e de criação; promover o livro e a natureza como recursos criativos; estimular competências expressivas e criativas; proporcionar a descoberta e a experimentação partilhada, em processos artísticos de criação; suscitar a reflexão e o debate em torno de temas pertinentes.

 

 

Pensar Alto – 8.ª Edição

Pensar Alto – 2018
Jovens mostraram as muitas faces do “nada”

A 8.ª edição do projeto Pensar Alto teve lugar dia 9 de junho na Fundação Lapa do Lobo, subordinada, este ano, ao tema «O que interessa verdadeiramente aos jovens? Ou de como os jovens não se interessam por nada.»
Pensar Alto é um projeto de promoção da oralidade junto de jovens do ensino secundário, desenvolvido pelo Clube de Oralidade, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, orientado pela professora Carla Marques, que visa a promoção do pensamento crítico associado à discussão de temas polémicos ou problemáticos, com o objetivo de levar os participantes a apresentar em público um texto de opinião de defesa de uma posição relacionada com um tema proposto.
Trabalhando, mais uma vez, uma ideia provocadora que condensa um possível olhar da sociedade sobre a juventude, os participantes foram convidados a refletir sobre o tema, a desmontá-lo e a contrariar perspetivas estereotipadas que muitas vezes recaem sobre o que eles são, sobre a forma como se comportam e sobre as suas escolhas. Neste âmbito, os jovens Francisca Correia, João Pereira, Joana Almendra, Mafalda Cunha, Luciana Pessoa, Ana Albuquerque, Francisca Santos, Emanuel Marques, Carolina Costa, Laura Barroso e Maria Mendes, apresentaram, ao longo da noite, comunicações que abordaram variadíssimos aspetos do «nada», desde a discussão do conceito (por oposição a tudo), passando pelas incertezas que o futuro oferece aos jovens, que correm o perigo de se transformar em jovens nada, refletindo também sobre a importância de aprender a não fazer nada (com divulgação inclusive dos princípios do Clube do Nadismo), não esquecendo a importância do sono ou os perigos físicos e psicológicos da ociosidade, denunciando a escravização a que a sociedade submete as pessoas e as consequências de se ser viciado no trabalho e refletindo sobre a anulação de personalidades que se processa não raro em sociedade.
Foi uma noite muito rica em ideias, diferentes e estimulantes, que convidaram o público à reflexão, mostrando que, afinal, os nossos jovens se interessam por muitos assuntos e que se querem assumir como uma geração diferentes das anteriores.

Texto: Professora Carla Marques

BAILES, FESTAS E PRINCESAS PARA ESCOLAS E FAMÍLIAS

Entre o dia 21 e o dia 30 de maio, o Auditório da Fundação Lapa do Lobo (FLL) acolheu dois espetáculos, com 20 apresentações, ao longo de nove dias, para cerca de 1400 alunos e professores, pais e filhos, integrados na programação do Projeto Alcateia – Serviço Educativo da FLL.
Em comum, os espetáculos tinham uma forte componente visual e cenográfica, com interpretações que possibilitaram uma grande proximidade com o público, a partir de temáticas pertinentes, abordadas de forma lúdica e inteligente.
Com estas propostas, procurou-se ir de encontro a objetivos pedagógicos como: sensibilizar para a importância das coisas essenciais da vida, mas também para as pequenas coisas do universo, envolver as crianças na reflexão e no debate em torno de temas pertinentes para o seu crescimento e a sua cidadania, estimular competências expressivas, criativas e afetivas, desenvolver a imaginação e promover a sensibilidade estética e artística.

O BAILE DAS COISAS IMPORTANTES
O espetáculo “O Baile das coisas importantes” foi apresentado para todos os alunos do 1º CEB dos Agrupamentos de Escolas de Canas de Senhorim, Carregal do Sal e Nelas. Com encenação de Joana Providência e texto do escritor Afonso Cruz, este espetáculo de teatro, dança e música foi produzido pelo Teatro do Bolhão e interpretado pela atriz Catarina Gomes e pelo músico Tiago Candal.
Há coisas obviamente importantes que dançam e são protagonistas do baile da vida, lembramo-nos imediatamente da Natureza, dos seus elementos, das virtudes… mas chegarão também coisas insignificantes, outras inúteis, outras que não passam de detalhes. E como se não bastasse, chegarão ainda coisas indesejáveis, dificuldades e tristezas e dores. E serão todas estas coisas, coisas importantes.
Das conversas no final do espetáculo, acerca destes e outros conteúdos do espetáculo, surgiram perguntas e comentários como: “De onde vem o amor?”, “Como se formaram as estrelas?”, “Porque é que existimos?”, “Porque é que, às vezes, os nossos pais são estranhos?”, “As coisas más dançam com as coisas boas da vida”, “A coragem é poder ajudar as pessoas”, “Por mais que as coisas sejam insignificantes podem ser importantes”, “Até as coisas insignificantes têm um significado”.

AQUI HÁ LOBO… – FESTA PARA A FAMÍLIA
Maio é o mês das famílias e das flores. Por isso, fomos comemorar para o palco, para o pátio, para a rua, para todo o lado! Em cada ano, no último sábado do mês de maio, pais e filhos, avós e netos, amigos e outros entusiastas são convidados a juntar-se para olhar, pensar e sentir em família e em festa. É o “Aqui há Lobo…”, um programa que pretende promover o ser e o estar em comunidade, proporcionar a partilha, a descoberta e a experimentação, através das artes e das expressões artísticas e festejar a infância e a família. Este ano, no dia 26 de maio, foram apresentadas sessões especiais dos espetáculos “Dama Pé de Mim” e “O Baile das coisas importantes”, prolongados através de oficinas, que exploraram os universos plásticos, dramatúrgicos e/ou artísticos destes espetáculos, apelando ao brincar de forma livre e informal.

DAMA PÉ DE MIM
Farta de olhar para o umbigo, Dama Pé de Mim monta o seu Cavalo e parte à procura de um amigo. Pelo caminho, encontra a Amália, a mala que já foi crocodilo, conhece o Nuno, a nuvem caída do céu e mergulha no Rio profundo. Mas, só quando chega ao supermercado, descobre o que é um amigo. Com a ajuda do Sr. Rodrigo. Uma história luminosa, terna e divertida, com música, texto que rima e a participação do público… mãe, filho e prima! Dama Pé de Mim joga com a imaginação, e a realidade acontece de uma forma simples. O público, seu cúmplice, acompanha o seu pensamento leve… e livre. O seu castelo, outrora solitário e amarelo, acaba finalmente povoado de seres cheios de vida, história, cor e humor. Esta é a história da princesa Dama Pé de Mim, criada e interpretada por Ana Madureira, à qual assistiram todas as crianças do Ensino Pré-Escolar dos concelhos de Carregal do Sal e de Nelas.

MARIA NATÁLIA MIRANDA

MARIA NATÁLIA MIRANDA

1925-2018

 

A Fundação Lapa do Lobo pretende, através destas singelas palavras, prestar homenagem a Marian Natália Miranda, falecida no passado dia 23 de maio, apresentando as condolências à família, amigos e admiradores.

 

Natural de Canas de Senhorim, Maria Natália Miranda licenciou-se em Filologia Românica e completou os cursos de Ciências Pedagógicas e do Magistério Primário.

 

Conta com mais de 60 obras em vários campos: poesia, Infantojuvenis e pedagógicos, que lhe valeram cerca de 400 prémios literários no país e estrangeiro.

É autora de poemas que ainda hoje se ouvem em Marchas Populares de Lisboa e no carnaval de Canas de Senhorim.

 

Num ato de genuína bondade, Maria Natália Miranda ofereceu à Biblioteca da Fundação Lapa do Lobo um exemplar de cada um dos seus livros, que compõem o Fundo Natália Miranda, disponível para consulta e empréstimo na nossa Biblioteca.

 

Nenhum texto fará jus à gratidão que sentimos pelo contributo educativo e herança cultural que Maria Natália Miranda nos deixa. Despedimo-nos da autora da forma que consideramos mais nobre: as suas próprias palavras.

 

“Terra

venho do teu regaço

de argilas sinuosas

do teu corpo suado

transfigurado em rosas.

(…)

Minha Terra de feno e granito

minha aguarela branca entre montados”

 

Maria Natália Miranda (2003)